Relação entre nutrição e distúrbios esqueléticos em cães

Dietas formuladas para proporcionar altas taxas de crescimento em cães podem contribuir significantemente no desenvolvimento de distúrbios esqueléticos como osteocondrose e displasia coxofemoral.

A alta taxa de crescimento nos primeiros meses de vida de um cão é um fator importante com relação ao desenvolvimento de distúrbios esqueléticos. Existem dois grandes fatores que contribuem para que um animal obtenha alta taxa de crescimento, os quais são o genótipo e o fenótipo. O genótipo é a composição genética de um indivíduo, ou seja, neste caso é a seleção de cães com alto potencial genético de crescimento. O Fenótipo é a manifestação visível ou detectável de um genótipo e é aqui que entra a contribuição das dietas formuladas para prover altas taxas de crescimento.


Estudos recentes mostram que mais de 20% dos problemas ortopédicos em cães são de origem alimentar e que 22% dos cães apresentam esses problemas na fase de crescimento, com menos de um ano de idade. Pesquisas mostram que a excessiva ingestão de energia leva a vários efeitos prejudiciais para cães em crescimento, principalmente em cães de porte grande e gigante. A Figura 1 mostra a radiografia de um filhote canino de grande porte com osteodistrofia hipertrófica causada pela excessiva densidade energética da dieta.

Figura 1. Radiografia - filhote canino de grande porte com osteodistrofia hipertrófica.

Fonte: Wortinger A. & Burns K. M. (2015).


A dieta pode afetar a expressão fenotípica de distúrbios esqueléticos, por isso, cães consumindo uma dieta formulada para proporcionar adequada taxa de crescimento durante os primeiros meses de vida tem mais chance de não desenvolver distúrbios esqueléticos. Além disso, estudos mostram que dietas com excessiva densidade energética durante a fase de crescimento contribuem para o desenvolvimento de obesidade no futuro.


A suplementação alimentar de alguns nutrientes podem melhorar a qualidade de vida de cães com displasia, artrite e/ou artrose. Nutrientes como a glucosamina (aminossacarídeo componente da cartilagem), condroitina (glicosaminoglicana componente da cartilagem), metilsufonilmetano, manganês, EPA, DHA, entre outros, ajudam a diminuir o consumo de anti-inflamatórios e melhorar a qualidade de vida de cães com displasia. Lembrando que todo e qualquer manejo nutricional, bem como recomendação de níveis adequados de suplementação devem ser recomendados por um profissional capacitado na área de nutrição animal.


Literatura consultada


Wortinger A. & Burns K. M. Nutrition and disease management for veterinary technicians and nurses. 2. ed. New Jersey: John Wiley & Sons, 2015.


Case L. P., Carey D. P., Hirakawa D. A. et al. Energy and water. In: Canine and Feline Nutrition (2. ed.), St Louis, MO: Mosby, 2000.


Gross K. L., Wedekind K. L., Cowell C. S et al. Nutrients. In: Small animal clinical nutrition (4. ed.), Marceline, MO: Walsworth Publishing, Mark Morris Institute, 2000.

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